Quem não está segmentado, está nu

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           A mudança na aparência gera aparência de mudança, haja vista que a subjetividade contemporânea é composta por fluxos, fluxos tão intensos que a capacidade de mudar a si próprio, pela inserção de piercings, tatuagens, acessórios, roupas, cores e cortes de cabelos, é tida como um estado ideal. E a moda, efêmera por natureza, é terreno fértil para estes movimentos.
       As interações subjetivas entre o individuo e aquilo que ele tem no guarda-roupa vem de longa data, fenômeno que se intensificou com a expansão do prêt-à-porter. A partir de então, tornou-se natural tentarmos, mesmo que inconscientemente, identificar o estilo de uma pessoa através daquilo que ela veste.
           Greg Friedler, fotógrafo norte-americano e cientista político, convidou, ao longo de anos, pessoas com diferentes tipos físicos e estilos para se despirem em suas fotos. O resultado pode ser visto nos livros “Naked New York”,Naked Los Angeles” e “Naked London”.
A ideia de Friedler foi fotografar cada pessoa vestida e despida, de modo a poder mostrar os dois lados de um mesmo indivíduo, isto é, o público e o privado, sendo o público a maneira como ela se apresenta no dia a dia perante a sociedade e o privado a pessoa nua e crua em sua intimidade e essência. Para Friedler essa versão vestida é apenas uma parte de uma verdade. Afinal as roupas, espontaneamente, alteram-se de acordo com a nossa vontade, ou seja, refletem como nós gostaríamos de aparecer, ou como sentimos que devemos ser. Ao colocar-se em foco uma pessoa nua, deixam-se de lado as expectativas que seu modo de vestir produz sobre sua ocupação ou nível social, modo de ser e preferências. Contrapor essas duas imagens, lado a lado, nos faz perceber como os corpos se transformam ao ser vestidos, o quanto um corpo nu pode transmitir diferentes impressões ao ser coberto.
          
         Muitas são as questões que envolvem essa discussão, mas a declaração de que a sociedade se baseia na roupa é bastante significativa. Parte da função da roupa é o de tornar a sociedade possível, de ser parte da produção e da reprodução de posições de poder.
           É deste princípio que entendemos a necessidade vital de uma loja definir um estilo e um conceito. Os clientes buscam identificação nas peças que compram. Quem consome moda no Brasil já está nos níveis mais altos da Pirâmide de Maslow, isto é, desejam status e auto-realização. Infelizmente vemos muitos comerciantes (confeccionistas ou não) que não entendem a importância da segmentação, do direcionamento do mix de produto e acabam falindo (segundo o SEBRAE metade das empresas fecham antes de 2 anos!).
Lembre-se: querer vender para todo mundo, é querer vender para ninguém. 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Nunca tinha refletido profundamente sobre esse aspecto que você propõe! Para falar a verdade eu nem não saberia dizer quem sou eu "nua"! Outra coisa, cho que eu não tenho o perfil do público-alvo do seu blog. Não fazia a menor ideia do que era Pirâmide de Maslow, tive que jogar no Google.

  2. "…Ao colocar-se em foco uma pessoa nua, deixam-se de lado as expectativas que seu modo de vestir produz sobre sua ocupação ou nível social, modo de ser e preferências…" ADOREI

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