Branding na prática: como trabalhar a gestão da sua marca no ponto de venda – Parte 1

Branding na pratica ponto de venda

Depois de um ano de vivência e imersão no mercado de moda europeu, volto a contribuir para este portal com muitas ideias ansiosas para se tornarem textos. Há muitas novidades para serem compartilhadas, mas o Branding ainda continua sendo a pauta que considero mais importante para garantir o sucesso de qualquer negócio. Por isso, começo aqui uma série em três artigos com ações práticas para você começar a pensar em branding hoje mesmo e transformar seu ponto de venda em um ambiente inspirador, envolvente e lucrativo.

Para começar, vamos contextualizar o Branding, que apesar de ser o assunto do momento, muitas vezes ainda é mal compreendido. Branding não é logotipo, nome, cor ou o símbolo da sua marca. De modo geral, o Branding não é uma “coisa” única, mas sim, um conjunto de ações, ou acima disso, um sistema de gestão.

Podemos resumir o Branding como o sistema de gerenciamento de uma marca pautado na essência e propósito da mesma. Assim, ele passa a ser a forma com que a empresa conduz suas escolhas para que sejam coerentes com o seu conceito. E isso diz respeito a tudo, tudo mesmo! Desde o produto, até o relacionamento com os clientes e não-clientes. Envolve o que é visto através da sua identidade e publicidade e o que não é visto, como as relações no ambiente interno da empresa e com seus fornecedores, por exemplo. Muitos especialistas costumam resumir também em “o que falam da sua marca” – o que é mesmo uma boa explicação. Neste sentido, partimos para os pilares principais dessa gestão: a essência e a personalidade da marca.

Como a intenção desta série de postagens é propor uma compreensão prática do Branding, vamos direto para o passo a passo de como você pode começar a trabalhar essa gestão:

1. Identifique a sua essência: isso deve ser feito através de questionamentos do ambiente interno. É tudo sobre você, e não sobre o seu concorrente ou as tendências do mercado. Para entender sua essência é preciso ir na fonte, analisar o que motiva a existência da sua marca e da sua empresa como um todo. Quem são os fundadores e idealizadores da marca? O que eles buscavam resolver ou satisfazer quando pensaram nessa criação? O que ela entrega para o mundo em sentido prático com seus produtos e serviços e também em sentido figurado, atendendo uma demanda emocional?

A partir dessa imersão é preciso chegar ao ponto principal de toda a gestão do Branding: o propósito. Este não deve ser algo inventado, deve ser real e está totalmente ligado às causas que motivam a empresa a manter-se ativa no mercado. É uma reflexão quase poética, mas entender o seu propósito é saber o que te motiva a sair da cama todas as manhãs e investir mais um dia em sua marca. O propósito está diretamente relacionado às crenças da empresa e ao seu papel no ambiente em que ela está inserido.

É fácil pensarmos que o propósito de uma empresa é “ganhar dinheiro”, e isso com certeza é uma das motivações, mas antes disso, identificar o porquê da escolha pelo produto ou serviço específico que você comercializa e o modo como você o faz é o questionamento que te levará ao seu propósito.

Tome nota de toda essa imersão e compartilhe com sua equipe. O ideal inclusive é que todos os colaboradores participem da análise. Este será um ótimo momento para identificar se todos estão agindo pelos mesmos princípios.

2. Pense na personalidade da sua marca: criar uma personagem para ter melhores parâmetros de escolhas para sua empresa já é um processo conhecido. Este é muito relacionado ao consumidor, mas neste caso, vamos pensar na personalidade da marca e não a do cliente. A personificação vai te ajudar a saber de forma prática o que é, ou não, coerente nas suas atitudes. Comece dando características de gostos, rotina e crenças para sua personagem e avance o máximo possível em detalhes, pensando que o mais importante é saber como ela se relacionaria com os seus produtos e serviços. Quais valores sentimentais são relevantes para essa pessoa? O quanto ela é pré-disposta a investir em um produto como o seu? O que ela oferece para o mundo e como as pessoas a veem? Ela é uma influenciadora no meio em que vive, ou ela segue tendências?

Estas perguntas são facilmente respondidas quando você está gerindo sua empresa através do Branding. Se durante o questionamento você sentir dificuldade de encontrar uma definição para algum dos pontos, provavelmente seja momento de promover ajustes.

Faça um exercício: descubra qual é o propósito da Farm e depois encontre os elementos que materializam esse ideal nos projetos de loja.

O seu ponto de venda deve ser coerente com um ambiente “natural” para a personagem da marca. Pense na loja como a casa desta pessoa. Ela deve se sentir bem neste local e quem o visitar deve captar facilmente através dos elementos sensoriais as principais características da sua personalidade. É fundamental que seu cliente possa visualizar a pessoa que é “a cara” deste ambiente e, mais do que isso, criar afinidade e laços com ela.

Uma pessoa interessante, com certeza tem histórias interessantes para contar. Estas histórias são justamente o diferencial de cada personalidade. Nos diferenciamos através de nossas vivências e o mesmo vale para as personas das marcas. Na próxima parte da série falarei sobre o diferencial de marca e o storytelling. Enquanto isso, aproveite para se aprofundar no estudo pessoal de sua empresa e refletir sobre seu propósito. Até breve!

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