O QUE É MODA CONCEITUAL?

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Por Eduardo Vilas Bôas*

Moda conceitual é uma forma de comunicação utilizada pelos estilistas para expressar sua criatividade, suas ideias e conceitos que estão propondo ao lançar uma nova coleção. É apresentada ao público cercada de grandes produções, como cenários vultuosos, iluminações cenográficas, sonoplastia de efeito, maquiagem e cabelos extravagantes. 

Isso tudo tem um propósito: fazer o espectador parar, analisar e refletir para entender a intenção, isto é, o conceito do designer de moda. Por isso, é um recurso destinado aos profissionais do setor e não para os leigos, mas, por ser plasticamente intrigante, caiu nas graças da grande mídia e do público em geral e, assim, tem sido utilizada também para reforçar no imaginário coletivo o posicionamento de vanguarda que uma marca almeja. 

Portanto, a ideia central não é vender o produto, mas vender uma imagem. Dessa forma, as marcas que “fazem moda conceitual” são entendidas como autorais, já que não seguem (necessariamente) as tendências de cada estação e tornam-se grandes lançadoras (ou confirmadoras) de tendências. 

A moda conceitual é uma variante da moda que se aproxima do conceito de artes, já que a roupa (e tudo que envolve o desfile) torna-se meramente o meio pelo qual o designer e/ou a marca buscam para valorizar o discurso. 

Logo, a roupa, o cenário, a música e o casting de modelos compõem os elementos de uma história a ser contada pelo designer junto do stylist e demais profissionais envolvidos, por isso, as modelos são meros suportes para as criações, seu nome ou fama são indiferentes, tanto que muitas vezes são tão descaracterizadas que acabam ficando irreconhecíveis. 

O exagero, quase caricato, é um dos recursos empregados na comunicação do conceito do estilista. Através do espanto, repulsa, admiração, encanto é que as ideias são evidenciadas e transmitidas. A moda comercial, por sua vez, tem o papel de converter todo esse conceito é produtos e uma imagem mais acessível para o grande público consumidor.

As peças produzidas são, geralmente, modelos exclusivos, ora em função do seu lento e complexo processo de produção, ora em função do não objetivo de venda direta do produto. Eventualmente peças podem ser feitas sob medida para clientes, que só as terão após o inédito desfile, outras vezes peças de acervo são coordenadas com peças novas que irão para o ponto de venda mais tarde.

Há, no entanto, alguns especialistas que rebatem e criticam essa divisão de moda conceitual e moda comercial, haja vista que toda moda precisa ter um conceito que deve nortear o desenvolvimento das peças (cores, shapes, tecidos), dos catálogos, das vitrines etc. E, de fato, essa ideia não está errada, mas a divisão é pedagógica e se faz útil para evidenciar estratégias de mercado distintas.

Exemplos marcas que fazem moda conceitual: John Galliano, Alexander McQueen e Lino Villaventura


*Eduardo Vilas Bôas é editor do MMdaMODA. Mestrando em Têxtil & Moda pela EACH/USP, é pós-graduado em Gerenciamento de Marketing, pós-graduado em Comunicação & Semiótica e bacharel em Moda. Tem experiência com marketing, visual merchandising e produção de moda, além de gerenciamento de confecção. Escreve artigos periódicos para o Portal Audaces sobre educação de moda, assina o blog “À Moda Deles” para o jornal Estadão e uma coluna para o portal da ACIC Campinas. Presta consultoria, treinamentos e realizada pesquisas através do MMdaMODA desde 2010 e leciona no Senac São Paulo. 
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